Mostrando postagens com marcador Cirrose Biliar Primária. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cirrose Biliar Primária. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de maio de 2010

FALANDO DE TRANSPLANTE - Parte 1

Parte 1

Muito Prazer, eu sou transplantada!!!!!


   
   “...Seu caso é de transplante de fígado.” Meu Deus - ele só pode estar  brincando!! Eu?! Precisar de um transplante?! Esse médico está doido?!
       Acredito que todo mundo que teve um diagnóstico de transplante pensou isso, ou então: "Agora a vaca foi pro brejo! Vou morrer !"
      E a família toda saiu em busca de uma cura milagrosa, um chá, uma dieta. Tudo,  menos encarar essa realidade com otimismo e informação “auspiciosa”  esse procedimento tão importante como é o transplante.
      Depois de alguns dias de sofrimento de todos e principalmente do coitado do médico que fez o diagnóstico, a maioria de nós chegou a essa tão admirável fonte de informações que é a Internet, e aí dá-lhe informações e casos!
      Costumo dizer que alguns sites são escritos em “mediquês”, isto é, aquela linguagem que só médico entende e olhe lá!
      E, finalmente, a ficha caiu e todo mundo começa a se mexer atrás de Centros de Transplantes e aí, sim, para o morador do nosso querido Estado de São Paulo, começa o sofrimento, pois ficamos conhecendo a angústia da fila de espera.


AGORA É SÓ ESPERAR!!!


      Muito bem... Sabemos o que temos e sabemos falar o nome de nossa doença, no meu caso Cirrose Biliar Primária, patologia (chique não?) que acomete principalmente mulheres na meia idade!
      Ao dar a sentença, meu médico já pediu minha inclusão na lista de espera em um grande hospital de São Paulo.
      Naquela época ainda não havia sido adotado o critério do Meld, e a fila era por ordem de chegada, a cronológica.
      Calculamos, então que, talvez, entre dois a três anos chegaria a minha vez.
      Fomos a São Paulo, consultar um famoso cirurgião, e mais uma esperança!
      Com a medicação, talvez, eu nem precisasse de transplante. Havia vários casos de estabilidade da doença só com medicamento.
      Era só não descuidar da alimentação - nada de frituras e comidas gordurosas, nada de álcool,  nem no casamento do filho, (Gustavo & Fernanda ) – do repouso e dos medicamentos.
      Maravilha, o mundo estava salvo!
      No fundo,  todos acreditamos que não vamos “entrar na faca”.


A DURA REALIDADE!


      Nós, mulheres de meia idade, somos mesmo privilegiadas: além de nos faltarem os hormônios, os filhos indo embora, os cabelos embranquecendo e outras coisas caindo,  ainda aparece essa tal de “cirrose biliar primária!”
      Mas, enfim, somos fortes e aguentamos tudo,  por isso a natureza nos fez mães.
      Ao anunciar o diagnóstico, meu querido médico e “sócio”, teve a bondade de deixar eu mesma chegar à conclusão que não haveria mais condições de continuar trabalhando. “A cirrose”, no meu caso, provocou varizes de esôfago e por várias vezes elas se romperam, provocando sangramento, o chamado “melena” quando é por intestino.
      Foram tantas endoscopias com cauterizações que passei a ser “sócia” do meu médico e freguesa de internações na Santa Casa.
      O curioso é que,  apesar de meu estado clinico ir aos poucos piorando, eu não me sentia doente.  Acho que isso deve acontecer com muitos pacientes, vítimas da cirrose. Sentia fadiga, falta de apetite, a barriga um pouco inchada, mas tudo era tão relativo, poderiam ser sintomas de tantas coisas! Afinal, estava na menopausa e essa, sim, provocava alterações, e não o coitadinho do meu fígado.
      Mas a dura realidade é que era ele mesmo o carrasco e, apesar de em alguns períodos parecer que a doença havia estabilizado,  os exames, principalmente as ultrassonografias indicavam que a necrose do fígado avançava.
      Durante certo tempo, acompanhei, quase diariamente, o meu lugar na fila de espera do transplante. Fazia cálculos mensais para ver como estava indo, conversava com pessoas inscritas pelo Orkut, lia tudo sobre cirrose, e me angustiava quando percebia que alguém da fila não conseguia esperar a sua vez.
      Essa fila não anda, gente?! E mais internações, idas a São Paulo etc.
      Até que mudaram as regras do jogo, e apareceu o Sr Meld!

      Para aqueles que ainda não o conhecem, ”Meld é a abreviação de um cálculo matemático do resultado de alguns exames de sangue, usado para medir a gravidade dos pacientes de fígado sujeitos a transplante. Ele pode variar entre 6 a 40 e é por meio dele que sabemos se estamos próximos ou distantes do transplante... 


Olga Marcondes
Repres. Grupo Hércules
em Blumenau/SC
Ex-Professora de História e Geografia
Transplantada Hepática há 1 ano e meio