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sábado, 22 de maio de 2010

FALANDO DE TRANSPLANTE - Parte 3

Parte 3

VAMOS DIRETO AO ASSUNTO!? E O TRANSPLANTE?


      Muito bem, vamos ao que interessa!
      Ao final de 2008, já sentia que as coisas não iam bem, as taxas dos exames voltaram a aumentar, assim como os inchaços e a fadiga. Amarelava a cada dia mais e não conseguia mais viajar sozinha para estar com o Nuno, nem ir visitar meus outros amores, meus filhos, meu genro e minha nora.
       Isso para mim era a morte! Sentia-me cada vez mais impotente e, ao mesmo tempo, a algoz de meu fiel escudeiro, meu amor, meu marido. Não conseguia ser mais sua companheira para nada, muito pelo contrario, aprisionava-o a minha doença, impedindo-o de viver, de se divertir, até.
        Cheguei a confessar ao meu medico, que não tinha mais vontade nem forças para lutar, para enfrentar por mais tempo a lista de espera. Queria desistir do tratamento e esperar a vontade Divina, pois cada vez que meu Meld aumentava também aumentava a distância para o transplante em São Paulo. Então, orientados por ele, tomamos a decisão de procurar outros centros de transplante e desistir de São Paulo.
       É necessário dizer que já há algum tempo, ele insistia que procurássemos ir para Blumenau, Santa Catarina, pois outros pacientes seus já tinham conseguido transplantar com mais rapidez, e com sucesso. Decisão difícil  sair do maior Estado, do maior centro médico do país, e ir para Santa Catarina. E, para piorar, no meio daquele desastre ecológico, que foram as chuvas e desmoronamentos, em novembro de 2008.
       Preocupados em nos apoiar, cada filho puxava a brasa para a sua sardinha. Minha filha, Daniela, arquiteta, achava um absurdo irmos para Blumenau sozinhos, meu filho do meio, Gustavo, brilhante advogado, queria que tentássemos Ribeirão Preto, perto dele, e meu filho caçula, Marcelo, meu lindo bebê de 27anos e engenheiro, achava que minha vontade é que deveria ser respeitada na escolha do local.
O marido Marcondes  
       Após uma “assembléia familiar”, no Natal de 2008, resolvemos consultar os dois lugares. Faríamos uma consulta em Ribeirão e outra em Blumenau, devidamente acompanhados por um filho, para depois decidir onde ficaríamos. Na opinião do meu marido e do meu médico, só havia uma alternativa segura: Blumenau.  
        
  
ENFIM, 2009 CHEGOU !


      Logo após o Ano Novo, conseguimos uma consulta em Ribeirão Preto, também um grande centro transplantador de São Paulo. Meu caso era mesmo o transplante e era possível que durante o ano de 2009 eu conseguisse fazê-lo. Naquela altura isso nos pareceu muito vago, poderia haver casos com Meld maior que o meu ainda na fila, etc.
       Fomos para Blumenau precisamente no dia 19 de janeiro de 2009, de certa forma com o coração na mão, esperando encontrar uma cidade devastada pela tragédia das últimas chuvas e com recursos limitados.
        Não conhecíamos ainda o valor e a persistência desse povo, tão querido, que, mesmo na tragédia, não se entrega, imensamente solidário, que realmente faz do limão uma limonada, pois encontramos uma cidade limpa, organizada, trabalhando a plenos pulmões para seguir em frente e mais uma vez aprender com as dificuldades da vida. Que orgulho de hoje ser Barriga Verde!
        Chegou a hora da consulta com o Dr. Marcelo Nogara (leia entrevista de 2003), Responsável Técnico da Equipe de Transplantes Hepáticos do Hospital Santa Isabel. Estava, no fundo, com muito medo, era a ultima cartada.
        Assim como a maioria dos blumenauenses, Dr. Marcelo transpira confiança e otimismo, e, após a análise  das minhas taxas, veio a boa notícia: provavelmente até julho, no máximo, eu estaria transplantada. Tudo era compatível: cirrose biliar primaria, grupo sanguíneo fácil,  (tipo A+). Meld acima de 17... Só faltava mudar para Blumenau.
        Fiquei assustada com a determinação de meu marido ao marcar imediatamente minha internação para os exames preliminares, para o dia 1 de Fevereiro. Era só o tempo de fechar a casa em nossa cidade e mudar, sabe Deus por quanto tempo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

BUROCRATAS DECIDEM SOBRE O DIREITO DE VIVER

Quanto vale uma vida?


Um homem e uma mulher em situação limite em relação à vida. Para continuarem vivendo necessitam de realizar transplante de fígado. Estão na fila aqui no Paraná como tantos outros paranaenses estão e estiveram. Os dias correm e nada...nem noticias, nem esperanças. A doença avança e a vida começa a ficar comprometida. Agrava-se o quadro:não dá mais para esperar. Conseguem lugar na fila de Santa Catarina(Blumenau) com a certeza de que em brevíssimos dias estarão transplantados e, vivos!

Estes dois seres não têm posses, dinheiro, mas têm o direito garantido por lei, de receberem o TFD(Tratamento Fora do Domicílio) que a Prefeitura deve fornecer. Pronto, resolvido. É só ir até à Prefeitura e formalizar a situação e, no mesmo dia seguir para Blumenau e receber a vida de volta, uma Graça concedida por Deus e executada por um corpo clínico de altíssimo nível.

Aí vem as surpresas. Os burocratas, que são servidores públicos e pagos por nós,começam a colocar dificuldades, as mais diversas. Dentre elas, por exemplo é que estas duas pessoas moram em Londrina-Paraná e o transplante é em Blumenau-Santa Catarina. A desculpa apresentada é de que uma cidade fica no Paraná e a outra em Santa Catarina, portanto em estados diferentes, apesar de estarem dentro do mesmo País e a lei estabelecer que é assegurado ao cidadão recursos para sua manutenção fora do seu domicilio.



O SUS é Nacional

Ora, Londrina é o domicilio destas pessoas! E como em Londrina, em Curitiba e em todo o Paraná a Central de Transplantes não funciona no caso dos transplantes de fígado, não restou aos dois outra alternativa que não correr atrás de um local onde pudessem receber fígado novo e continuarem, por Vontade de Deus, a viverem. Mas os servidores públicos, aliás funcionários públicos absolutamente descompromissados com o cumprimento das suas funções, negam insistentemente o TFD o que impossibilta a estes dois seres irem a Blumenau. O que fazer diante de tanta insensibilidade? de tanta incompetência? de tanto mau caratismo?

As eleições estão próximas e no nosso Estado e no Brasil as coisas continuam como sempre estiveram. Um bando, muitas vezes quadrilhas organizadas se dedicam a dilapidar o patrimônio público, mas não se dignam legislar, executar, julgar Políticas de Estado e não de Governo voltadas para a saúde, educação etc...

Comigo aconteceu a mesma coisa...

Comigo aconteceu a mesma coisa...Fiz o transplante há dois anos e meio atrás. Estava terminal em Curitiba onde permaneci por mais ou menos três anos na fila. Uma semana depois de me transferir para a fila de Santa Catarina fui transplantado em Blumenau. Me desculpem os leitores mas o qualificativo mais suave que encontro para estes burocratas incompetentes e insensíveis é o de sem vergonhas.
 
Tenho esperanças que através de movimentação da sociedade civil organizada com poucos discursos e muitas ações possamos colocar um fim nesta situação através da nossa poderosa arma que é o voto. Trocar estes bandidos por pessoas sérias e comprometidas com suas propostas e em estabelecer um Estado realmente forte e limpo, politicamente equilibrado onde situação e oposição passem a debater com honestidade e patriotismo os temas que interessam realmente a vida e acabar com estas guerras de quadrilhas organizadas. Encerrando peço aos leitores que orem fervorosamente para que estes dois seres humanos possam ter suas vidas salvas pelos meios que Deus, com certeza, disponiblizará para que ambos se salvem.

Martin Roeder
Conselheiro do Grupo Hércules
Engenheiro Civil
Professor da UFPAR
Extensa carreira de Eng. nos
Setores Público, Privado e Terceiro Setor

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Transplantes - POLÍTICA DE ESTADO e não de Governo!

Nossas Vidas nas mãos de Administradores Temporários e Politiqueiros

Como todos nós brasileiros sentimos na pele, de um modo geral as políticas públicas brasileiras são um desastre.
É só ler jornais, ouvir rádios e assistir televisão que cansamos de nos abater de tanta catástofres mostradas. E aí o que provoca muita indignação:
um bando de "autoridades" transferindo responsabilidades para terceiros. Dizendo estar empenhado em resolver as questões que estão matando nossa gente, que os seus antecessores nada fizeram nessa direção etc,etc,etc. Especificamente no caso do Rio de Janeiro/Niterói penso que cada autoridade que concedeu entrevista ( prefeito, governador, presidente, etc...) ao encerrá-la deveria ir algemada para a cadeia. Prisão perpétua.

  Assim ocorre com milhares de brasileiros que não conseguem ter suas vidas salvas por absoluta ausência de politicas públicas voltadas para a saúde, além da total incompetência dos gestores do sistema. Os que se julgam capazes e até mesmo incompreendidos pecam, pelo menos, por omissão.

Nossas vidas nas mãos de Profissionais Humanitários e Humanos
 O Hospital Santa Isabel de Blumenau demonstra para o Brasil e para o mundo que havendo vontade, capacidade e visão do homem como ser integral (físico e espiritual) os transplantes acontecem. Ressalte-se evidentemente o excelente trabalho desenvolvido pela Central de Transplantes de Santa Catarina.
Não é o caso de citar nomes, uma vez que todos os envolvidos neste setor são ótimos profissionais e maravilhosos seres humanos.

É fácil. Santa Catarina dá a lição e o Brasil copia o modelo! Devem ser implementadas e treinadas a maior quantidade de Coordenadorias Hospitalares possíveis.
É fácil. São Paulo tem um excelente Sistema de Informações em Transplantes e o Brasil copia o modelo!
É fácil...

E  que torne-se Política de Estado.

Para concluir quero deixar registrado que eu estava terminal em Curitiba e transferi-me para a fila de Santa Catarina. Estou vivo porque uma semana após, saí de um hospital curitibano e fui direto para o HSI onde recebi o enxerto de um fígado novo e sadio! Assim fica registrado que se estivesse ficado em Curitiba, onde a Central de Transplantes, não funciona, pelo menos para o caso de fígado, eu estaria fazendo essa manifestação do Além...

 Martin Roeder
Conselheiro do Grupo Hércules
Engenheiro Civil
Professor da UFPAR
Extensa carreira de Eng. nos
Setores Público, Privado e Terceiro Setor